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 A evolução da forma de como se ouve com o implante...

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Rosa
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Dom Ago 26, 2012 10:03 pm

Olá a todos!

Deixo aqui uma novidade!
Foi a primeira vez que consegui ouvir uma cigarra através do implante coclear!!! É um som agudo e estridente do qual não consigo ouvir com a prótese auditiva. Confesso que nunca na minha vida ouvi isto! Apesar de estar a precisar de uma afinação, consegui ouvir uma cigarra com o IC!

Beijinhos,
Rosa
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LuisCardoso

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Seg Ago 27, 2012 1:26 pm

Olá Rosa,

É bom partilhar connosco publicamente neste fórum.
Dou os parabéns pela experiênca com a cigarra. Já não me lembrava o que era uma cigarra até ter visto umas imagens na Google que me surgiu à memória infantil: O conto da formiga e cigarra com a sua viola. Smile
Por ventura ouviste a cigarra de que forma? Simplesmente quietinha, a voar ou a bater as asas sobre o vidro da janela?

Rosa, se não for pedir muito, gostaria de saber em valores concretos da tua audiometria nas 7 frequências para:
a) sem PA
b) com PA
c) com IC
d) com PA+IC

Caso uma das frequências estiver marcada de forma isolada (é porque tem hiatos à sua volta) marque-a com um traço vertical entre elas, senão põe dois traços. O exemplo do meu caso:

OUVIDO DIREITO:
a) sem PA: 125(80dB) | 250(90dB) -- 500(100dB) -- 1k(115dB) -- 2k(120dB) | 4k(120dB) | 8k(110dB)
b) com PA: 125(40dB) -- 250(35dB) -- 500(35dB) -- 1k(50dB) -- 2k(70dB) | 4k(100dB)

OUVIDO ESQUERDO:
a) sem PA: 125(80dB) -- 250(90dB) -- 500(100dB) | 1k(120dB) | 2k(120dB) | 4k(120dB) | 8k(110dB)
b) com PA: 125(45dB) -- 250(35dB) -- 500(45dB) -- 1k(55dB) -- 2k(70dB) | 4k(100dB)

E por fim, apenas por curiosidade solta, como determinaste a distânca 4km quando ouviste a sirene da ambulância após a activação do IC? Pela fórmula S=So+Vt?

Cumprimentos,
Luís.
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Rosa
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Ago 28, 2012 10:05 am

Bom dia, Luís Cardoso!

Relativamente ao som da cigarra, eu estava a conversar com o meu marido fora de casa e, como estava a anoitecer, ouvi um som de um grilo em que reconheci imediatamente com PA+IC, mas também ouvi outro som intermitente mais agudo e perguntei ao marido o que era aquilo. Ele disse-me que era uma cigarra, fiquei pasmada, nunca ouvi uma cigarra. É um som agudo e intermitente semelhante a ZZZZ-ZZZZ-ZZZZ. Foi aí que distingui o som do grilo e da cigarra quando cantavam ao mesmo tempo. Pensei que fossem muito parecidos, mas na verdade não são. Depois voltei a ouvir esse som isolado noutro sítio muito distante e perguntei a uma amiga se era um som vindo de uma cigarra, a resposta foi afirmativa! Uauuu, que grande descoberta sonora! Nesse momento, experimentei ouvir só com PA e o resultado é que esse som passa despercebido. De seguida desliguei o PA e experimentei ouvir só com o IC, é impressionante ouvir aquele som... Daí saber que nunca tinha ouvido isso com a PA. Agora pergunto: como será que as pessoas ouvintes ouvem o som da cigarra? Certamente, não terei uma resposta para esta questão, porque as pessoas ouvintes também não sabem como nós ouvimos com estas tecnologias.
Eu não vi as cigarras, apenas ouvi o som.

Quanto à audiometria, os valores são:
NO OUVIDO DIREITO
a) sem PA: 125(70dB)--250(80dB)--500(85 dB)--1K(100dB)--2K(100 dB)--4K(100dB)--8K(90dB)
b)com PA: 250(45dB)--500(45 dB)--1K(35dB)--2K(35 dB)--4K(50dB)

OUVIDO ESQUERDO:
c) sem IC: 125(80dB)--250(95dB)--500(105dB)--1K(120dB) | 2K(120 dB) | 4K(115dB)--8K(95dB)
d) com IC: 250(30dB)--500(30dB)--1K(25dB)--2K(25dB)--4K(30dB)

Audição Bimodal:
Com PA+IC: 250(30dB)--500(30dB)--1K(15dB)--2K(20dB)--4K(30dB)

Percentagem de discriminação:
i)com PA: aos 60dB, a % de discriminação é de 50% em campo livre;
ii)com PA+ IC: aos 60dB, a % de discriminação é de 80% em campo livre;
iii) com PA+IC: em ambintes com ruído, a percepção da fala é significativamente menor que 80%.

Como se vê, o ganho com PA+IC é muito maior do que aquele que é obtido só com PA, pois não basta comparar o limiar de audição, mas sim a % de discriminação da fala para um dado nível sonoro.

Para lhe responder à questão da distância em que ouvi a sirene do quartel dos bombeiros (não foi da ambulância), não calculei a distância pois sei que a minha casa dista a 4km aproximadamente do quartel dos bombeiros. Não poderia calcular a distância através da fórmula mencionada pelo Luís, porque precisaria de saber qual o intervalo de tempo que o sinal sonoro emitido demoraria a chegar aos meus ouvidos sabendo o valor da velocidade de propagação do som que depende das condições climatéricas.

Espero ter esclarecido,

Cumprimentos,
Rosa
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LuisCardoso

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Ago 28, 2012 12:53 pm

Olá Rosa,

Interpolei os nossos pontos na audiometria para comparação e achei-o deveras interessante, que assim podemos ter uma ideia ou uma previsão do que poderá advir com o IC.
Acho que este site deveria ter, além do perfil do utilizador, dados audiometricos para quando quisermos comparar a nossa situação com a dos outros. Sei que a % de discriminação verbal e a nível sonoro também conta mas isto depende do próprio paciente, do caminho que teve na sua aprendizagem, para ser sincero acho que no nosso caso (tu e eu), sendo surdos orais e de semelhante formação académica, este factor tem menos importância uma vez que a evolução de cada um depende mais da capacidade auditiva em determinadas tonalidades. Se imaginarmos o IC há 2 ou 3 décadas atrás, hoje teriamos uma evolução bem diferente como estamos a ver o caso da Alice que fez o implante aos 18 meses e hoje consegue discriminar 99% ao telefone (se não fosse aquela letra pirata). Smile
Assim sendo, sobrepus as nossas audiometrias com o objetivo de prever o que poderá advir em caso de implantado: eu tenho as cores a vermelho e azul para o ouvido direito e esquerdo, respetivamente, sem prótese, enquanto a Rosa tem as cores verde claro e escuro para o mesmo lado do ouvido. A conclusão que obtive é que o teu pior ouvido (esquerdo) tem o mesmíssimo defeito que o meu à exceção de o meu ter hiatos nas frequências mais altas; o teu ouvido direito é realmente uma jóia, tens aí um "Straight Flush" que te coloca num bom patamar talvez para o segundo implante. rendeer
Imagino que a Rosa, antes do IC, quando tentou fazer uma chamada com o telemóvel, deve ter ouvido melhor os toques pelo ouvido direito, assim como eu.
Gostaria de entender numa coisa: Porque a Rosa não fez um pequeno ajuste no aumento nas frequências mais baixas com o IC? Sente incómodo? O gráfico bimodal diz que com o IC mantém-se inalterado entre 250 e 500hz embora a Rosa ter recuperado significativamente nos agudos e no estéreo, daí conseguir ouvir sons finos como a cigarra, o grilo, o tic-tac do relógio da parede e da sirene dos bombeiros em longas distâncias.
Outra questão, a Rosa alguma vez ouviu o som dos piscas do carro antes do implante? Eu, pelo menos, com as próteses convencionais nunca ouvi, só recentemente com as digitais mas pelos nossos gráficos algo me diz que a Rosa teria ouvido este som.
Uma outra observação curiosa, notei que a Rosa não tem resposta na frequência 8khz com o IC. Porquê? Não estará o electrodo desativado ou mal posicionado em torno do modíolo?
Por fim dou os parabéns por a Rosa ter todos os pontos situados dentro do rectângulo com o IC+PA, com certeza que tem capacidade auditiva para conseguir discriminar muita coisa, bem próximo dos 100%. O tempo dirá.

Muito obrigado por partilhar.
Cumprimentos.



PS: Quanto à distância aproximada da sirene dos bombeiros, de facto que existem vários factores mas penso ser possível estimar a distância se cronometrasse o primeiro instante em que ouve o som até ao instante em que se vê passar o cisterna e assumindo que a velocidade média do cisterna é de 70km/h. Quanto às condições climatéricas, onde há fogo não pode haver chuva. Rolling Eyes
Quanto aos ouvintes que não sabem como se ouve com o IC assim como para os surdos que não sabem como é o o som natural, desde que comecei a ouvir os agudos com a prótese digital fiquei com uma ideia bem mais esclarecida como se ouve no mundo sonoro. Se alguém me diz "Luís, vamos á praia?", eu oiço deste modo: "vrauum, vrauuumpos vrpaa pfraoo-prfraooo". Nada esclarecido, o que oiço não existem pausas nítidas.
Quem melhor pode explicar isto são aqueles que perderam recentemente a audição e foram implantados. Talvez o LBethoven, o Divalde...
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Rosa
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Ago 28, 2012 2:42 pm

Olá, Luís!

Realmente, o meu audiograma é parecido com o teu, ao ver a interpolação...
Queria referir algumas coisas.
Para corrigir, a Alice não foi implantada aos 18 meses, foi implantada já era adulta, penso eu que foi aos 21 anos. Penso que o Luís terá enganado no nome.
Quanto às conversas através de telemóvel ou telefone, só consigo ouvir, embora com dificuldade, no ouvido direito, (lado da prótese). Do lado do ouvido implantado, infelizmente, ainda não consigo ouvir uma conversa ao telemóvel...espero um dia, mas ouço o telemóvel a tocar tanto com o IC como com PA.
Boa pergunta: "A Rosa não fez um pequeno ajuste no aumento nas frequências mais baixas com o IC, porquê?" Por acaso nunca me ocorreu isso. A ideia que tenho, é que os especialistas dão mais importância ao intervalo de frequências correspondentes aos sons da fala, penso ser o caso, não tenho a certeza disso. Tenho uma dúvida acerca do audiograma, aparece uma resposta para o IC numa frequência entre 4000 e 8000Hz, penso que seja 6000Hz. O valor dessa resposta é de 25dB.
Em resposta à questão que me coloca, eu tinha muita dificuldade em ouvir os piscas do carro com PA, esses sons passam muito despercebidos. Com o IC, noto uma diferença grande, ouve-se notavelmente, os piscas, o tic-tac do relógio...já com a prótese auditiva a percepção desses sons é quase nula.
Estou feliz de ter tomado esta decisão de colocar o implante coclear no pior ouvido, como se vê nos resultados e manter a PA no melhor ouvido. Não me arrependi.
Eu gostaria de colocar o IC no outro ouvido, mas ainda não estou preparada. Ainda não encontrei alguém para trocar impressões acerca do implante coclear bilateral e que tenha estado em condições indênticas às minhas. Espero que apareça alguém...

Quanto à forma como se ouve só com o IC, penso que no meu caso se assemelha mais a um som produzido por um rádio antigo, se alguma vez ouviu, ou talvez àquele som que se ouve na televisão, no programa telejornal, quando alguém fala ao telefone. Não sei qual a opinião de outras pessoas. Mas ao usar simultaneamente PA+IC, estes complementam-se um ao outro e no final o som é mais alto e mais transparente, o que leva a uma melhor percepção.

Deixo aqui uma informação, o som da música ouvido com o implante coclear é muito diferente daquele que se ouve com PA. Eu por exemplo, não consigo ouvir a melodia de uma música com o IC, isto porque o som produzido pelo IC não é contínuo o que pode ser explicado pelas lacunas nas frequências entre os eléctrodos do implante coclear. O IC responde melhor ao ritmo do que à melodia, por isso ouço melhor determinados sons ritmicos do que PA, principalmente a bateria. Com o IC não se consegue ouvir uma canção na sua íntegra. E o que me foi explicado, o IC está mais preparado para responder aos sons da fala do que aos sons da música, mas que no futuro isto irá melhorar conforme as investigações que se forem fazendo para melhorar o desempenho dos futuros implantes cocleares.

Se pretender colocar mais questões, não hesite, responderei sempre que me for possível.

Cumprimentos,
Rosa
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Ago 28, 2012 7:15 pm

Olá Rosa,

Conhecendo cada vez mais o seu caso e experiências em comparação com a minha situação, diria que há algo de estranho por a Rosa não ouvir uma conversa telefónica com o IC se bem que na sua audiometria está em melhor posição do que na minha. Na verdade, eu consigo ouvir uma conversa ao telefone com as próteses embora não entendo, apenas sei que a conversa está no ar. A minha audiometria diz-me que oiço melhor os graves embora os agudos estarem amputados (ou caídos a pique) à medida que a frequência for aumentada.

Ainda assim, voltando à questão de a Rosa não ouvir uma conversa telefónica com o IC pelo gráfico como está, vamos por partes:
Acho que os especialistas entenderam não aumentar os graves para dar mais importância nos agudos para que a Rosa se habitue e aprenda os vocais, eu penso que na tua audiometria bimodal demonstra demasiado balanceamento nos agudos do que para os graves por forma a estabilizar a interpolação em todas as frequências; Para um ouvinte normal sabe-se que está mais habituado a ouvir mais, no dia-a-dia, os sons graves e a forma como te aplicaram deveria inicialmente aplicar-se no meu caso porque passei toda a vida a ouvir os graves e, portanto, habituei-me nesta posição mas no teu caso é diferente porque tens um ganho mais estabilizado e diferente do meu conforme se vê na audiometria com próteses. De acordo com os teus relatos, tens neste momento um ouvido mais apurado nas frequências mais altas e suponhoque está na altura de aumentar um pouco nas frequências mais baixas algo como à ordem de 5dB a 10dB, gradualmente, pois com este pequeno acréscimo pode fazer diferença.
Peço perdão naquilo que vou dizer, a Rosa não pode deixar tudo nas mãos dos especialistas, sabe bem o quanto foi burocrático na minha situação com aquele médico do CHC, eu estou aqui precisamente pelo meu pé e motor interno que me fez mover, investigando, explorando, perguntando e experimentando porque sei que tudo depende de nós mesmos. A Rosa deveria insistir um pequeno aumento nos graves para ouvir uma conversa telefónica; e se à partida sentir incómodo deverá aguentar esse "power" durante uns dias e depois ver o que acontece.
Repara no meu caso: Quando usei as próteses digitais, inicialmente senti tudo muito alto como se estivesse embriagado quando saí para a rua e tive de aguentar por uma semana até ouvir os piscas do carro, do piano e violino e notei que o volume dos graves pareceu descer. E voltei a aumentar o volume para continuar a romper a barreira que se encontra nas células ciliadas e passado mais uma semana notei a intensidade do volume a baixar novamente. Resultado: O meu cérebro habituou-se mas agora não posso aumentar mais porque senão ouvirei aqueles apitos chatos, típico do microfone quando viro a cabeça ou passo a mão nos cabelos ou alguma coisa que passa perto do meu ouvido como por exemplo quando atravesso uma porta ou me encosto no sofá ou almofada. Tenho que voltar ao audiologista para recalibrar as frequências e assim baixar o volume do microfone por forma a evitar a sensibilidade do microfone quando este se aproxima do objecto. Só espero que no caso do ajuste do IC, não vá aumentar a intensidade elétrica e danificar o modíolo.

Em relação à dúvida do segundo implante, há uma certeza que eu tenho que se me fosse dada a oportunidade, eu aceitaria dois implantes porque com as próteses tudo o que sei e oiço até aqui, não irei muito mais além do que esta capacidade. Ouço a maioria dos sons, simplesmente não entendo a não ser pelos códigos ritmicos a que habituei a identificar, as próteses servem-me mais como um alerta e eu abdicaria as próteses pelo dois implantes embora produzirem um som robótico e metálico e não promover um som mais natural. Eu preferia assim porque em primeiro lugar estamos a meio da idade, os cabelos brancos vêm aí, o tempo que resta está ficando mais curto; e em segundo lugar os médicos têm a mania de exigir tudo a 100% apenas só com um implante e acho imoral ter este tipo de tratamento nos adultos. Porquê? Porque se desligarmos um só aparelho, estaríamos a ouvir 30% do volume mas com dois aparelhos ligados é como se o volume estivesse a 200%, ficamos com a noção de uma melhor percepção ou a sensação de querermos baixar um pouco no volume por estar demasiado alto. Com o IC+PA, o som fica abafado e leva mais tempo a decrifar uma conversa telefónica. O que os médicos podem fazer em relação à isto? Sleep

Rosa, eu já estou a perceber o que poderá ser ouvido com o IC. A membrana (tímpano) é algo extremamente flexível e oscila-se conforme as ondas sonoras que batem nela e por conseguinte faz mover um pequeno osso localizado por trás de forma oscilada emitindo assim um resultado mais natural como a que ouvimos quando batemos numa barra da varanda que produz um som estridente e longo. No caso do IC, temos os impulsos elétricos que emitem um som mais robótico e, bem visto, longe de natural. Como será que ouves com isto, um beep ou vários beeps pausados?
Em suma, parece que o IC é uma oportunidade única para os adultos compreenderem e ouvir os sons do ambiente e não da música e muito menos da fala. Quanto ao futuro, de acordo com as pesquisas feitas pela Univ. de Medicina de São Paulo, as crianças bi-implantadas têm obtido vantagens de menos interação entre canais, aumento da audição no ruído e localização dos sons; uso do elétrodo perimodiolar que permite maior contacto com o modíolo; criação de bateria recarregáveis que resolveria o problema do alto custo da pilha; neurotrofinas no implante (estudos procuram obter preservação neural utilizando em associação com o implante, neurotrofinas, técnicas genéticas moleculares e bloquedores de vias de apoptose na pré-cirurgia ou através dos elétrodos dos implantes cocleares); nova tecnologia que permite ouvir através do microfone do IC de modo a testar a qualidade do som e alarmes audíveis como o de pilhas descarregadas; etc, etc. Cá para mim, o elétrodo em vez de ser um fino cabo e flexível, será semelhante como aquele desentupidor de sanita, espicaçado com pontinhas por fora por forma a fazer melhor contacto com modíolo capaz de produzir multi-impulsos elétricos que dão proximidade ao som natural.

Cumprimentos,
Luís
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Rosa
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Qua Ago 29, 2012 12:14 pm

Olá, Luís Cardoso!

Nem sempre consigo tolerar os sons altos com o IC ou com PA, pois se aumentar a intensidade sonora de uma determinada gama de frequências para além da zona de conforto, fico muito irritada, enervada... e acabo por desligar tudo. Posso aguentar algumas horas, mas não aguento o dia todo, fico muito cansada e muito irritada. Este facto deve-se à quantidade de energia elétrica que é enviada para o cérebro através do IC, quanto maior for essa quantidade maior é a irritação que uma pessoa sente, fico irriquieta que até parece que a eletricidade passa no meu corpo. É uma sensação desagradável. Já tentei por várias vezes aguentar o desconforto por vários dias, mas sem êxito. Por isso, resolveu-se deixar estar na zona mais confortável, daí ainda não conseguir ouvir tudo. O especialista já tentou aumentar a intensidade sonora em todas as frequências para ver se eu aguentava, mas não resultou em todas as ferquências. Lembro que cada caso é um caso, os reajustes são feitos de acordo com as necessidades da pessoa.

Eu que uso a prótese auditiva à muitos anos, e fiquei cada vez menos tolerante aos sons altos a partir de 2006, não sei porquê, ninguém me sabe dizer o que aconteceu. Em 2006 tive uma otite difícil de curar no melhor ouvido, uma vez que estava com 36 semanas de gestação. E a partir daí nunca mais fiquei bem a nível auditivo, penso que fiquei com lesões e os especialistas não me sabem dizer o que realmente aconteceu.

O que eu queria dizer acerca da conversa ao telefone, posso ouvir a conversa com o IC, mas não entendo nada.

A grande desvantagem do IC, é ouvir em ambientes com muito ruído, o seu desempenho é relativamente pouco satisfatório nesses ambientes, mas os investigadores estão a tentar resolver este problema de que todos os implantados se queixam. Agora estou a aguardar pela nova geração de implantes cocleares, que certamente serão melhores.


Cumprimentos,
Rosa
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LuisCardoso

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Qua Ago 29, 2012 2:06 pm

Olá, Rosa.

Ok, tudo entendido. Cada caso é um caso.
Se te apraz saber mais sobre experiências de bi-implantados, existem vários artigos que podem ser encontrados na internet e encontrei este artigo que talvez pode ser do "nosso" interesse. http://www.advancedbionics.com.br/news.php?Id=15

Aproveito desde já para saber quanto se gasta em média, por mês e em euros, as pilhas alcalinas do IC.
Acho irónico saber um dos critérios para a candidatura ao implante coclear, dizem que os surdos pós-lingual são bons candidatos para o IC, mas é que com isto o som está longe de ser o mesmo do natural. Seria como aprendessemos espanhol que não é assim tão diferente do português.

Melhores cumprimentos e continuação de relatos e experiêncas de como se ouve com o IC.
Luís.
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Alice
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Qua Ago 29, 2012 2:46 pm

Olá,

Hoje tomei as rédeas e li os vossos textos, só posso dizer: que profundidade e riqueza de opiniões! Já contei a minha história mil vezes e tornarei a contar Luís e Rosa, ensurdeci aos 18 meses e fui implantada aos 23 anos, há exactamente 5 anos. Antes de me ter submetido ao IC o audiograma com a Prótese oscilava entre os 50-70 decibéis em todas as frequências até 4Hz, e ainda mais admirável não tinha nenhuma memória auditiva. Baseava-me apenas na leitura labial, tudo o resto escutava sons ambientais e por muito que apanhasse as vozes não a compreendia.

Quando foi o momento de realizar a cirurgia, inicialmente era para ser operada no ouvido direito considerado o pior morfologicamente, e os médicos optaram por realizar no esquerdo, pois era o que se encontrava clinicamente mais estimulado, como não queria passar a vida sem ouvir com os resíduos auditivos a cair em pique aceitei, até porque era o ouvido que queria que fosse implantado! Não me arrependi... pois facilitou imenso a aprendizagem a nível auditivo na reabilitação, contudo só comecei a perceber e descriminar as palavras após um ano de uso do IC. Bizarro?! Não, a sensação que tive ao voltar ouvir com o IC foi revelador, trouxe-me mais nitidez e claridade a sons que já não me lembrava ouvir, reconheci na altura a melodia do piano, era tal e qual semelhante ao que era antes de me ter ensurdecido.

Neste primeiro ano, baseou-se em absorver tudo em meu redor, sons de ambientes, música e instrumentos, sons de animais e da natureza. Depois disso comecei a descriminar palavras e posteriormente frases com reajustes e ajustes corrigidos quando algo não estava bem, foi preciso muito treino e sobretudo ajuda da família, mas quero salientar que a discriminação está para mim nos 70% e não nos 99% como falou o Luís, pois estes 20% residem o problema de não compreender as vozes graves nasaladas, ou quando existem barulhos envolventes que atrapalham a discriminação, ou em locais extremamente ruidosos. Neste caso o IC Nucleus Freedom não foi ainda concebido a nível de estrutura das frequências para abafar este nível de ruído, o Nucleus 5 que é o atual processador no mercado e a nova geração da Cochlear já visa resolver este problema apenas em 50% - eu mesma já comprovei a diferença gritante!

Apenas e somente decidi aguardar pelo próximo e novo processador, pois a minha ideia é e sempre foi a de ser Implantada Bilateral, acredito que já não falta muito para concretizar este meu sonho e certamente não será por cá.

Deixo o meu audiograma, sem próteses e depois a evolução com o IC, sempre digo que é OBRA!!! De não ouvir nada para passar a escutar e com estas lindas linhas, só me dá imensa satisfação e querer fazer o Bilateral...!



É importante salientar que cada caso é um caso, tanto no tipo e história de Surdez, bem como causa e privação sonora.
Mais qualquer assunto, disponha.

Alice

_________________
A vida tirara-me um sentido, e mais tarde a tecnologia devolveu-ma graciosamente, de braços estendidos perante a possibilidade, bastou escolher e isso é bonito de se ver. Decifrar os sons, no corpo de adulta mas criança ao mesmo tempo. É magia. O deslumbramento de um novo renascer.
National Geographic Portugal.

Surda Profunda desde 18 meses de causa não determinada.
Implantada no Hospital dos Covões - Coimbra.
Dr.Fernando Rodrigues
Nucleus Freedom: 29/06/2007
Activação: 30/07/2007
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João Romano



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MensagemAssunto: O meu caso de implantado - como sinto os sons   Sex Ago 31, 2012 3:51 pm

Devo declarar que segundo o audiologista, eu sou um dos dois implantados em Coimbra cujos resultados são os melhores. Sorte a minha. Digo que eu, que ouvi durante décadas (já não sou novo), agora com o implante não ouço. Sinto os sons e distingo uns dos outros. Interpreto o que sinto (ouço) à luz da minha memória auditiva balanceada com todas as memórias que conservo. por exemplo o som das cigarras que já foi referido aqui. Sinto o cantar das cigarras mas a minha memória desse som está datada da primeira vez que o ouvi em 1956 quando fui a Chelas-Lisboa com o meu avô. Agora, implantado, sinto os sons que são traduzidos pelo implante, com sotaque eletrónico muito forte mas que o meu cérebro entende. Assim, faço o meu dia a dia dialogando com alguém em ambientes calmos ou ruidosos, falo ao telefone fixo e móvel, ouço música desde que sincopada e tenho capacidade de calar os impertinentes retirando o implante da cabeça (sou surdo total). quanto ao preço das pilhas, no meu caso seria uma pilha por dia durante 12-13 horas, ao preço de 1 € cada pilha dando 30 € por mês. Porém comprei pilhas recarregáveis Nucleus 5, pequenas que custam cerca de 250 € cada.
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LuisCardoso

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Set 04, 2012 10:47 am

Olá,

Peço desculpa por confundir a idade de implantado da Alice, anda por aí artigos de implantados em crianças, daí a indicação confusa de 18 meses no rodapé. E para mais, a foto tem a cara de uma menininha de 15 anos. Razz

Como devem ter notado ainda não sou implantado e espero um dia fazer parte da fraternidade cyborg. Tenho tentado compreender o mundo sonoro e reconheço que “cada caso é um caso” mas - perdoem a minha astúcia - não sei se alguém reparou o uso frequente da palavra “estridente” nos relatos da Rosa? Isto despertou-me atenção. Embora não possuir frequências altas nos meus ouvidos, sei que o som estridente das unhas a arranhar num quadro é bem desagradável, basta imaginar isto e já fico com a pele arrepiada. Reparei no audiograma da Alice que, após 2 meses de activação do IC, demonstra um maior balanceamento nos graves e um decréscimo nos agudos; e após 6 meses os graves foram subindo mas os agudos continuaram inalterados. Não devemos esquecer que uma diferença de 25dB na razão agudos/graves é significativamente desfasada pois de acordo com os relatos da Alice diz acertar todas letras do alfabeto (ou quase todas) até atingir maturidade na compreensão sonora e sentenças e os agudos passaram a serem aceites naturalmente pelo cérebro. E já com 50 meses, o gráfico inverteu-se: obteve um maior balanceamento nos agudos e menos nos graves, tenho a vaga sensação que a melhor perfomance de aprendizado foi na altura quando a linha esteve equilibrada em todas as frequências tal como se estivesse na idade de uma criança. Por isto imaginei a dificuldade de aprendizagem do recém-implantado face aos sons da fala com os agudos ou graves em maior balanceamento. Não seria má ideia se a Rosa (e a Alice também) experimentasse baixar apenas um pouquinho nos agudos quando for ao reajuste e colocar esta configuração num determinado programa (P4, por exemplo) e pôr-se em experiências com o leitor MP3 e com o volume ajustado à medida. Quem sabe se mais tarde com isto poderá notar diferença com o Nucleus 5 - o tão falado, abraçado e notório processador requerido pela maioria dos implantados. Sei bem a dificuldade de aguentar os sons estridentes especialmente para quem tem uma profissão que envolve diariamente um ambiente ruidoso como o quotidiano escolar; lembro-me dos tempos que costumava desligar o aparelho aos intervalos e hora de almoço apenas momentaneamente por causa dos sons estáticos praticamente indecifráveis como se tratasse de um rádio mal sintonizado.

Acho difícil um processador, seja qual for o seu tipo, nos dê a ideia de que um dia virá a ser significativamente melhor, mais natural ou mesmo eliminar a maioria dos problemas de cada paciente, a perspectiva que tenho quando me dizem “cada caso é um caso” penso logo nos detalhes da própria cóclea e eléctrodo. Vejo o processador como um afinador de piano, se não houvesse cordas ou porcas semi-cónicas no interior do piano para responder ao ajuste, de que serviria o afinador? A cóclea mostrada na primeira figura alberga mais de 40.000 terminações nervosas (células ciliadas externas) e é dificílimo reaproximar o som do natural com o implante coclear porque os surdos de -->

--> categoria profunda têm uma perda em mais de dois terços de células reduzindo assim a capacidade de configuração do processador bem como o aprendizado dos surdos pós-lingual. É como se quiséssemos ampliar uma imagem de baixa resolução 150x150 pixels na escala de 1:3500 para depois imprimir num plotter gigante. Como resultado, veríamos os pixels quadráticos, uma imagem desfocada, distorções no rendering ou imperfeições nos contornos. É certo que o software de correcção já vem melhorado conforme a complexidade do algoritmo mas o resultado continua muito aquém do objectivo original a não ser que se tenha de obter uma imagem de alta resolução. Do som, o conceito não é muito diferente: o experiente João Romano diz distinguir o som das cigarras às sincopadas com o IC em relação ao registado da sua memória; convém lembrar que quando o IC era primitivo começou com 3/4 eletrodos com 32 tonalidades e atualmente temos 22 eletrodos com 169 tonalidades suportadas, a qualidade do som num só ouvido teria de passar pela evolução dos elétrodos à semelhança como se tem feito no olho biónico que inicialmente começou com 24 eletrodos e agora está na versão experimental de 1024 eletrodos. Felizmente, para o ouvido biónico os elétrodos de futura geração poderão ser facilmente substituídos sem necessidade de realizar uma mastoidectomia pois o tubinho onde está inserido o elétrodo já vem instalado na primeira cirurgia. É só abrir a pele com uma incisão, levantar o músculo, puxar o eletrodo e reintroduzir o novo e por fim fechar e coser os pontos (pelo que entendi da Advanced Bionics).
Soube recentemente que os novos modelos das próteses digitais como os da Phonak e Siemens Pure, para além das funções P1-P4 suportadas, trazem também uma função de sincronização nos dois aparelhos, o que dá a ideia que os próximos processadores bi-implantados poderão trabalhar em parceria no processamento de som por forma a melhorar a qualidade sonora ouvida. Sabemos que o som que se ouve num só implante é característico e robótico e que se apresenta como um sinusóide quadrático mas com um segundo processador (bilateral) não só vai melhorar o volume em modo estéreo como também vai processar o som sincronizadamente para acompanhar as notas musicais sem quebras. Por exemplo, o da direita estimularia eletricamente produzindo as notas de um compasso em sequência par (2, 4, 6, 8…) enquanto o da esquerda produziria no instante seguinte em sequência ímpar (1, 3, 5, 7…) resultando assim uma sequência final ouvida (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 ) sem quebras e mais próxima de um sinusóide perfeito.

Saudações sonoras,
Luís.
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Sex Nov 16, 2012 12:41 am

Luís,

Desculpas aceites pela confusão da idade de implantada, ehehehe, 15 anos? Bolas, estou lisonjeada por me ter dado menos de 13 anos, bem conservada portanto Smile

Bom vamos ao tema, não sou dotada a termos bastante técnicos e precisos como expõe o Luís, vou tentar dentro do possível exprimir de maneira mais simplista, a começar pela activação que contrariamente da maioria, repito, dos que conheço e quanto a outros não sei saem da sala sem ouvir grande coisa, uns com beeps intermitentes por nunca na vida terem ouvido, outros que mais parece um rádio mal sintonizado - aqueles que já escutaram e por uma razão qualquer perderam a capacidade auditiva. Disseram-me que através das Próteses Auditivas o som é mais natural, próximo do real, pois amplificam o som. Já o Implante Coclear estimula electricamente as fibras remanescentes do nervo auditivo directo ao cérebro. Isto já deve saber com tanta pesquisa no universo cibernético.

Contudo, a minha activação foi diferente, já tinha noção de como era ouvir com as próteses auditivas, incapaz de discriminar a fala, incapaz em distinguir palavras pequenas mesmo que isoladas. Depois dos beeps ligados em cada um dos 22 canais dos eléctrodos, o técnico ligou-me ao mundo dos sons e tons, dei um fantástico pulo da cadeira que por acaso ia derrubando deveras abismada e incrédula. Neste fortuito, apercebi da brutalidade diferença entre a prótese auditiva para com o IC, subsequentemente o IC bateu todos os recordes e expectativas, soou nítido com muita clareza, em minutos já assimilava tantos barulhos distintos, lembro-me de olhar para as minhas mãos com os dedos estrelantes sem leitura labial perceber o técnico pronunciar "Consegue me ouvir?" - demorei imenso tempo a reagir onde todos aguardavam por uma resposta do que estaria a se passar dentro da minha cabeça... não tinha nenhuma programação específica ajustada, precisava de me habituar aos estímulos eléctricos durante uma semana, para que ao fim desse período recomeçasse um ajuste à sério. É assim para todos, não existe excepção no mesmo processamento. Há casos e casos complicados que exige outro tipo de estratégicas de programação que não o padrão normal.

Estes primeiros 24 meses de aprendizagem auditiva e reabilitativa, foi profundo, passei por grandes dificuldades em achar uma programação adequada à minha audição, pois toda a vez que realizava um novo reajuste as dificuldades regressavam em força, tudo que tinha ouvido antes não era igual a seguir à nova programação, é como se tivesses aprender de novo de forma constante mesmo tendo conquistado muita discriminação de palavras e mais tarde frases. Depois as vogais não soavam como as conhecia, vice-versa, porém muito diferente em termos de sons ambientais, em relação a próteses auditivas estão limitadas em termos de programação fiel às necessidades do quotidiano.

No meu caso, tiveram de aumentar os decibéis nas frequências para que pudesse diferenciar as consoantes do alfabeto português, e foi ai que as dificuldades dissiparam pois passei a ouvir e discriminar imensas frases quer de vozes femininas e masculinas, tive um taco a taco nas vozes graves bastante nasaladas, desesperava não compreender ao telemóvel o meu pai por exemplo... esta inversão resultou precisamente em 2009, graças a muito esforço de uma estagiária e médico que não o próprio técnico pois encontrava-se de férias, e não ia perder a ida a Coimbra para nada, não sei como, eles dois juntos conseguiram estabilizar o equilíbrio tão desejado que teimava nunca terminar. A partir daí tudo melhorou, até hoje, portanto está explicado porquê o meu audiograma não resulta na da Rosa como o dela não serve para comigo.

Pronto é isso... espero ter compreendido.

Abraço
Alice

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Dom Nov 18, 2012 8:31 pm

Meus amigos, há muito tempo que não vinha aqui postar nada nem ver , até já me tinha esquecido da minha senha!
Não percebo nem tenho tanta informação como vocês sobre o IC e PA, mas só vos posso dizer que sou implantada há 4 anos e não uso pA do outro ouvido porque fiquei surda pouco tempo depois de ser implantada. Cheguei a usar duas PA e ainda usei no ouvido direito após implante.
Com a PA ouvia o telefone e telemovel mas não percebia nada, não conseguia perceber a música, até que nem ouvia, só percebia as pessoas se estivessem de frente. Hoje falo ao telemovel e telefone quase sem problemas ( em ambiente ruidoso é mais complicado) comecei a gostar de ouvir música,( embora muitas vezes não consiga perceber bem a letra), ouço o vento, a chuva a bater nas janelas, os pássaros, os grilos, a rola da vizinha ás 6horas da mnhã, enfim, muita coisa que antes não ouvia e que tive de aprender a ouvir novamente . Ainda hoje por vezes pergunto a que corresponde determinados sons.
Só tenho a dizer que estou muito satisfeita, acho que renasci numa "nova vida"

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Dom Nov 18, 2012 11:02 pm

Olá,

Em resposta à Alice, fiquei esclarecidíssimo com as suas palavras que foram bastante explícitas. Agradeço-te.
O aumento da frequência dos agudos foi então para saber diferenciar dos sons difíceis de interceptar: a frequência da palavra. Agora compreendo as razões que levaram a proceder estas alterações. Imagino que deve ser cansativo readaptar-se em cada reajuste. Chiça! What a Face

Quando vejo o meu filho de 2 anos e meio sempre ansioso com os sons que produz seja martelando com talheres, pauzinhos ou empurrando cadeiras, aparentemente nada destes sons parecem incomodar-lhe. Por outro lado, vejo a minha mulher que se irrita facilmente com este tipo de barulho tão estridente.
Não sei se li algures dos teus relatos, por seres diferente da Rosa, parece-me que delicias-te facilmente todo o tipo de "estrelas vibrantes e dançantes" que recebes no cérebro, que aguentas e dás-te bem com estes ruídos. Porquê será? Olhando a idade do meu filho, foste implantada na juventude enquanto no caso da Rosa não e provavelmente eu também não terei momentos de pêra doce com os sons estridentes por sermos de outra "época"... realmente é preciso paciência. Bom, dá para imaginar as dificuldades que me esperam.
Cada vez mais aumenta a minha ansiedade pelo IC. Ainda mantenho firme neste caminho. Muito em breve vou ter uma consulta que aguardo há muito, o tempo está a parecer-me uma eternidade. Estou mais do que pronto para o próximo round.

Uma questão à Fernanda Soares, que muito agradeço pelo seu relato... Posso saber em que idade foi implantada? E desde quando é surda? Os 4 anos que levou a adaptar com o IC parece um tempo considerável para se chegar ao sucesso em que se encontra. Parabéns!

Saudações sonoras.
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Seg Nov 19, 2012 7:09 pm

Se quiser pode pesquisar aqui no forum os meus testemunhos, de qualquer forma posso dizer novamente:
Tenho 51 anos de idade e fui implantada com 47 anos de idade. Quando fui implantada estava surda desse ouvido há cerca de 3 anos.
A adaptação no inicio( até ao 1ª ajuste) não foi fácil, mas depois adaptei-me bem e reiniciei o trabalho ( sou enfermeira) depois de ter feito a activação cerca de 15 dias.

O facto de ter que contactar e falar com muitas pessoas no serviço e ter que atender muitos telefones ajudou-me muito porque me estimulava o meu cerebro na descoberta de muitos sons até então desconhecidos. Claro que tive sempre o apoio das colegas e muita força de vontade.

Quanto ao telefone, acho que comecei logo atender, embora no inicio fosse mais complicado porque havia sons e palavras que não percebia, mas isso com a continuação foi-se melhorando.

Uma coisa importante é que eu nunca deixei de ouvir, porque eu ouvia com a protese no outro ouvido, embora pouquinho mas dava para fazer a minha vida e trabalho.

Pouco tempo depois, já estava adaptada ao implante, fiquei surda do outro.

Posso dizer-lhe que hoje sou outra pessoa, porque já me aventuro a fazer muitas coisas que antes não fazia porque não ouvia e tinha medo de não ser capaz.

Claro que existe ainda e continuaram algumas lacunas, mas nada que não possamos contornar. E acima de tudo temos de reconhecer essas mesmas dificuldades para as podermos contornar, sozinhas ou com apoio dos outros.

Espero ter ajudado
Sempre ao dispor
Fernanda Rocha
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Seg Nov 19, 2012 11:50 pm

Olá Fernanda,

Obrigado por partilhar. Não tenho visto o seu historial, desculpe. Parece que a Fernanda teve melhor sorte porque esteve "desligada" do mundo sonoro apenas por pouco tempo à excepção de ter perdido o outro ouvido.
O principal cerne de todas estas conversas que estamos a debater neste tópico prende-se em casos mais extremos, de pessoas que perderam a audição desde a infância ou nascença e que desde então nunca conheceram a frequência da palavra até ter sido implantadas (como é o caso da Rosa, a Alice e se calhar talvez eu se o CHC me dar uma prendinha simpática este natal).
Do meu caso, perdi a audição aos 3 anos de idade e não tenho memória sonora da frequência da palavra, assunto que torna difícil o acesso ao implante coclear comparticipado pelo Estado.
Como este assunto tem sido à parte, é por esta razão que estamos aqui a debater, reforçar dicas, ideias, tratamentos e uma panóplia de dúvidas e respostas por explorar... coisas de um adulto que nunca ouviu na vida.

Fernanda, os seus testemunhos são importantíssimos. Quando puder, conta-nos como é o som antes e depois do IC.
Aproveito perguntar e à todos se com o IC as músicas clássicas são agradáveis? Sei que com o IC o som é robótico, tipo codificado, mas quando se ouve um som fininho, suavinho e contínuo, como é que se ouve este som com o IC?

Por exemplo, quando toco a campanhia da porta de forma ininterrupta (sem largar o dedo), sei que ouve-se um apito fino e contínuo, tipo piiiiiiiii e não daquelas campanhias que fazem dlim dlom. Tudo o que eu sei é que pelo ouvido normal, existe uma membrana, uma bigorna e por aí fora; a membrana é muito fina, sensível e flexível, capaz de emitir oscilações produzindo movimentos mecânicos que posteriormente se convertem em sinais elétricos. É pela membrana que define a perfeição do som pois graças a estas oscilações o som torna-se natural. Com o IC, como se ouve em concreto este apito? Suponho que ocorrem umas pausas em intervalos regulares, tipo sincopadas?
Com o IC, preferem ouvir música ritmada em vez de clássica? Existe algum som desagradável se ouvido pelo IC mas teria sido agradável se ouvido pela audição normal?

Saudações sonoras.
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MensagemAssunto: Música coclear   Ter Nov 20, 2012 10:59 am

Olá Luis. É assim:
1 - o implante coclear não foi feito para ouvir mas para sentir a voz humana
2 - a estimulação é por intervalos, correspondentes a cada um dos elétrodos
3 - assim, há notas que sendo diferentes, são sentidas pelo nosso cérebro da mesma maneira
4 - ex: num piano um dó pode parecer-nos igual a outro dó mas uma oitava acima
5 - eu sou implantado, não tenho qualquer audição pelos meus ouvidos que estão mortos e enterrados
6 -eu ouço música
7 a música que me dá prazer é aquela que é tocada com poucos instrumentos, estilo jazz e de preferência sincopada
8 - para além d eritmada, os sons deverão ser de curta duração porque se se prolongam no tempo , sobrepõem-se a outros sons e assim deixamos de entender a mistura.
9 - música clássica, só se for enquadrada como referi acima. ex: consigo ouvir philip glass
10 - música sinfónica é um susto a não ser que seja acompanhada de cenas como é o caso da ópera ( eu vou à ópera com prazer)
11 - é um desgosto, por vezes, tentar ouvir música com implante porque não corresponde de modo nenhum à ideia que eu tinha daquela música
12 - a maneira como tiramo sprazer de ouvir musica com o implante depend emuito das condições acústicas do local onde se está
13 - eu comecei por ouvir sempre as mesmas músicas até à exaustão. músicas escolhidas : poucos instrumentos, nada melodiosas e sons sincopados
14-ouvir musica coclear implica muito treino e persisytência
15 - uma nota: segundo o audiologista, eu sou um dos implantados em Coimbra com melhores resultados

sempre ao dispor...........


LuisCardoso escreveu:
Olá Fernanda,

Obrigado por partilhar. Não tenho visto o seu historial, desculpe. Parece que a Fernanda teve melhor sorte porque esteve "desligada" do mundo sonoro apenas por pouco tempo à excepção de ter perdido o outro ouvido.
O principal cerne de todas estas conversas que estamos a debater neste tópico prende-se em casos mais extremos, de pessoas que perderam a audição desde a infância ou nascença e que desde então nunca conheceram a frequência da palavra até ter sido implantadas (como é o caso da Rosa, a Alice e se calhar talvez eu se o CHC me dar uma prendinha simpática este natal).
Do meu caso, perdi a audição aos 3 anos de idade e não tenho memória sonora da frequência da palavra, assunto que torna difícil o acesso ao implante coclear comparticipado pelo Estado.
Como este assunto tem sido à parte, é por esta razão que estamos aqui a debater, reforçar dicas, ideias, tratamentos e uma panóplia de dúvidas e respostas por explorar... coisas de um adulto que nunca ouviu na vida.

Fernanda, os seus testemunhos são importantíssimos. Quando puder, conta-nos como é o som antes e depois do IC.
Aproveito perguntar e à todos se com o IC as músicas clássicas são agradáveis? Sei que com o IC o som é robótico, tipo codificado, mas quando se ouve um som fininho, suavinho e contínuo, como é que se ouve este som com o IC?

Por exemplo, quando toco a campanhia da porta de forma ininterrupta (sem largar o dedo), sei que ouve-se um apito fino e contínuo, tipo piiiiiiiii e não daquelas campanhias que fazem dlim dlom. Tudo o que eu sei é que pelo ouvido normal, existe uma membrana, uma bigorna e por aí fora; a membrana é muito fina, sensível e flexível, capaz de emitir oscilações produzindo movimentos mecânicos que posteriormente se convertem em sinais elétricos. É pela membrana que define a perfeição do som pois graças a estas oscilações o som torna-se natural. Com o IC, como se ouve em concreto este apito? Suponho que ocorrem umas pausas em intervalos regulares, tipo sincopadas?
Com o IC, preferem ouvir música ritmada em vez de clássica? Existe algum som desagradável se ouvido pelo IC mas teria sido agradável se ouvido pela audição normal?

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Ter Nov 20, 2012 7:59 pm

Que me desculpe o João Romano, mas dizer que foi um dos melhores casos que Coimbra avaliou é relativo, o seu historial, tipo de surdez e causa difere bastante pois você ensurdeceu já na idade adulta com a linguagem estruturada bem como memória auditiva preservada.

Todos os casos de IC são considerados de sucesso independentemente do grau de dificuldades existentes, cada caso tem a sua história pessoal. Devolveu o seu mundo, parabéns pela conquista, mas não menospreze os resultados dos outros criando assim desmotivação para a continuação do treinamento reabilitativo, tenha especial atenção para não ferir susceptibilidades.

Atenciosamente
Alice

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MensagemAssunto: FOI O AUDIOLOGISTA QUE DISSE   Qua Nov 21, 2012 11:17 am

Já agora digo que quem me informou da qualidade da minha perceção dos sons com implante, foi o audiologista que assiste a maior parte dos implantados em Coimbra. (Eu não me comparei com ninguém nem quis desvalorizar a satisfação pessoal de quem quer que seja e muito menos diminuir os resultados da audição da nossa querida Alice)
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Qua Nov 21, 2012 3:50 pm

João Romano,

Volto a frisar, para ser cuidadoso nas palavras que profere, que reine o bom senso, por isso veja lá como se exprime, se quer uma discussão saudável ou literalmente acessa sugiro que me envie uma mensagem privada. Não ouse apontar-me o dedo assim como todos os outros membros também começa a notar este comportamento indigno.

Quando aos seus resultados, independentemente de o audiologista ter dito, foram baseados na avaliação como sendo Surdo Pós-Linguístico e não Peri - Linguístico ou Pré-Linguístico - prefere que clarifique ainda mais a terminologia?

Tente de futuro não ser tão discrepante, pois ao contrário de você não aponto a ninguém.

Cumprimentos
Alice

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MensagemAssunto: Quero que sejas feliz Alice   Qua Nov 21, 2012 4:56 pm

E se quiseres podes me expulsar deste sítio.
Desse modo já não te incomodo com o que digo.
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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Qua Nov 21, 2012 7:14 pm

Não tenciono expulsa-lo deste Fórum, só lhe peço que seja coerente sem ofender os outros elementos na base do teor de sucesso na sua reabilitação como sendo um dos MELHORES A NÍVEL NACIONAL. Isto soa-me a estatísticas e falta de emoção, na hora de ajudar os que porventura querem melhorar a sua qualidade de vida por via da audição e qualquer tipo de tecnologia.

Apenas isso.

Passe uma óptima noite.
Alice

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MensagemAssunto: Somos humanos e comunicamos   Sex Nov 23, 2012 11:15 am

Para meditar sobre a capacidade de relacionamento, em especial no nosso caso, surdos:
http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/gostava-de-convencer-as-pessoas-a-escolherem-a-exposicao-publica-1573436

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Seg Dez 10, 2012 5:37 pm

Em relação à diferença ouvida entre um implantado e ouvinte normal, há dias encontrei um video no youtube (já me perdi o link) que retrata muito bem o funcionamento das céclulas ciliadas ao mais íntimo pormenor ao longo da cóclea (não estou a falar das escovinhas, estou a referir das células juntas em forma pentagonal). São milhares de células (perto de 40.000) com cada uma que produz uma tonalidade diferente conforme o espectro da cóclea/frequência. Para o ouvido normal, as pessoas aceitam os sons pelo menos entre a frequência 125hz até 8000hz. Ora, isto são uma combinação de - digamos por alto - 8 mil tonalidades elevado à potência, o que dá uns quantos milhões de tonalidades diferentes.
No caso do implantado, com 22 elétrodos da Nucleus que produzem 169 tonalidades diferentes, gostaria de perguntar implantado: Ouve-se somente 169 tonalidades diferentes ou deste número pode ser ouvido por combinação, digamos, 169 elevado à portência que produz alguns milhares de tonalidades diferentes?
Corrijam-me, s.f.f.

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MensagemAssunto: Re: A evolução da forma de como se ouve com o implante...   Sab Dez 15, 2012 1:20 pm

Olá Luis,

Quanto à forma poética que relato, são o espelho das minhas emoções quando descubro novos sons, e naturalmente não me são estridentes, e também não sei se o facto de ter o IC no ouvido esquerdo tem influência na interpretação musical, sendo o esquerdo dotado para música (comprovado cientificamente através de estudos internacionais a músicos de orquestra). Antes do IC não tinha qualquer paixão pela música em si, muito raramente excepto em criança em que continha um pouco dos resíduos auditivos, retirava a prótese colocando o ouvido no fone do piano, escutava até adormecer e os meus pais tinham de desligar antes que tocasse a noite inteira no volume um pouco elevado.

Hoje em dia, deliro com Jazz, dos Blues, posso te dizer que é de longe o meu estilo musical predilecto. A minha reacção à música começou numa loja da Pull and Bear, na cabide a experimentar uma roupa... reagi instintivamente à música, pus-me a dançar sem me dar conta, surpreendi por ver a reacção imediata e incalculável de espontânea vontade sem pedir com licença. Foi agradável, a melodia e as batidas, nem muito alto e baixo, tudo nos conformes. A maioria dos implantados, não tem certo amor de escutar com o IC - já tive esta conversa intimamente com todos, e mais tarde apercebi que tinham feito o IC no ouvido direito - mais uma curiosidade, a informação passa mais rápida ao cérebro em termos de discriminação de palavras e frases em relação ao ouvido esquerdo. Deveras surpreendente...!

Tudo que ouço, no sítio, no ritmo e intervalos de tempo batem no sítio certo, consigo por exemplo expressar com exactidão determinados barulhos de animais e outros objectos, contudo, também se deve ao estado do próprio nervo auditivo, sendo que o IC faz o papel da cóclea ignorando por completo as células ciliadas.

vamos falando...

Beijos
Alice

_________________
A vida tirara-me um sentido, e mais tarde a tecnologia devolveu-ma graciosamente, de braços estendidos perante a possibilidade, bastou escolher e isso é bonito de se ver. Decifrar os sons, no corpo de adulta mas criança ao mesmo tempo. É magia. O deslumbramento de um novo renascer.
National Geographic Portugal.

Surda Profunda desde 18 meses de causa não determinada.
Implantada no Hospital dos Covões - Coimbra.
Dr.Fernando Rodrigues
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Activação: 30/07/2007
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